terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Reuven Feuerstein e a Construção Mediada do Conhecimento:

Esta semana recebi por e-mail, através do site Psicopedagogia on-line, a divulgação de um curso de aperfeiçoamento profissional a respeito da aplicação dos instrumentos do PEI - Programa de Enrequecimento Instrumental, desenvolvido por Reuven Feurstein.

Hum...queria muito ir...!!

Resumidamente, é um programa prático de intervenção cognitiva,

fundamentado na mediação da aprendizagem e pode ser aplicado de forma individual ou coletiva.

Composto por 14 intrumentos, ou seja, 14 conjuntos de tarefas de diversos conteúdos e modalidades, e seu crescente nível de complexidade favorece a contrução sistemática e estrutural de funções cognitivas e operações mentais necessárias à aprendizagem. O curso é presencial e acontecerá na capital paranaense, Curitiba. Para inscrever-se acesse o site: http://www.cdcp.com.br/ Rabiscando...

A primeira vez que entrei em contato com as ideias do Psicólogo e Professor Israelense Reuven Feuerstein foi em 2009 num curso oferecido pela FCEE (Fundação Catarinense de Educação Especial) com o objetivo de capacitar professores das Escolas Especiais, hoje Centros de Atendimentos Especializados. Na ocasião, estávamos estudando sobre aspectos teóricos e metodológicos a serem utilizados com crianças de 7 a 14 anos, participantes do SAEDE (Serviço de Atendimento Educacional Especializado) destinado ao atendimento de alunos regularmente matriculados na Rede Comum de Ensino e, no contraturno, frequentantes deste serviço oferecido, nesta época, somente pelas APAEs.

Situação bem diferente nos dias de hoje, onde os AEE (Atendimentos Educacionais Especializados) são oferecidos nas próprias unidades de ensino comum, sejam estaduais ou municipais - um grande avanço dentro do processo de inclusão, mesmo que questionado por muitos os envolvidos, sejam pais ou educadores.

Enfim, venho aprofundando meus estudos acerca deste estudioso buscando relacionar seus principios ao processo de ensino e aprendizagem de crianças com deficiência intelectual.

Os conceitos de que a inteligência é plástica e modificável, e que ela pode ser pensada, são centrais na Teoria da Modificabilidade cognifiva estrutural.

Essa teoria baseia-se na premissa de que existe um potencial de aprendizagema ser desenvolvido por qualquer sujeito, independente de sua idade ou origem étnica ou cultural.

Sendo assim, Feurstein considera que a inteligência possa ser desenvolvida em um ambiente de aprendizagem mediada criado a partir da teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada.
O mediador será aquele que interage com o aprendiz estimulando as suas funções cognitivas, organizando o pensamento e melhorando os seus processos de aprendizagem. Um dos estudos divulgados recentemente sobre a Mediação da Aprendizagem tornou-se um livro lançado em 2007 pelos autores Marcos Meier e Sandra Garcia, pesquisadores renomados no campo educacional. O livro traz reflexões importantes como:
  • "O que diferencia um mediador de um professor"?
  • "De que forma podemos ensinar nossos alunos para que o "aprender a aprender" não seja apenas discurso"?
  • "Como desenvolver a autonomia do aluno"?
  • "Como interagir com o aluno de forma a potencializar a sua aprendizagem"?
  • "Como incentivá-lo a colocar tudo isso em prática"?

O vídeo abaixo exemplifica de forma simples e objetiva como tais principios podem fazer parte do cotidiano escolar:
video

No trabalho com crianças com deficiência intelectual há que se prestar muita atenção no quanto a mediação pedagógica (ação intencional e planejada do professor) pode contribuir para maximizar as capacidades dos alunos e auxiliá-los a encontrar formas eficazes de atuação no meio e de pensamento crítico: fazer escolhas e usar o pensamento, respeitando o outro e suas especificidades são aspectos fundamentais na aprendizagem escolar, dentre outros, é claro.
O conceito de inteligência vem se transformando ao longo dos anos, ao passo que o entendimento sobre a deficiência intelectual, ainda necessita de "maiores esclarecimentos", já que muitos ainda consideram que deficientes intelectuais "não pensam" ou "não aprendem"...isso precisa ser modificado!!!!
"[...]Todos os indivíduos, sem exceção, têm direito à otimização do seu potencial cognitivo; a sociedade, no seu todo, tem o dever de o educabilizar...pois não é a inteligência como medida estática que caracteriza o ser humano, mas sim, a sua propensão e modificabilidade para se adaptar a situações novas". (FONSECA, 1998)
Outras sugestões:
  • ROS, Silvia Zanatta da. Pedagogia em Rauven Feuerstein. Editora Plexus.
  • FONSECA, Vitor da. Aprender a aprender: a educabilidade cognitiva. Editora ARTMED.
  • MEIER, Marcos; GARCIA, Sandra. Mediação da Aprendizagem:contribuições de Feuerstein e de Vygotsky. Edição do autor.

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